Comentei com a minha mãe que minha homestay era muito distante da minha escola e no dia seguinte a coordenadora do colégio me chamou na sala dela.
"Is something wrong, Ruby?"
"I receive an email from your mom and she is concerned about the distance and time from your school to your homestay"
Sim, é bem distante, como eu já coloquei aqui antes, mas eu não tinha certeza se mudaria de homestay só por isso.
Perguntei a ela se poderia pensar sobre o assunto e ver outras possibilidades antes de decidir finalmente.
"Claro, tudo bem! Amanhã de manhã te mostro algumas opções, ok?"
"OK, muito obrigada."
Chego de manhã lá na sala dela e ela vem com um "ACHEI SUA NOVA HOMESTAY"
Eu faço uma cara de toba.
"Não venha me dizer que vc mudou de idéia, porque eu já comuniquei à sua hostmom e à sua nova família!"
Cara de toba "WHAT?"
"Sim, porque o tempo está passando e vc me solicitou, a decisão tinha de ser rápida"
(o.o) - vcs conhecem essa minha cara
"Bruna, não me olhe assim, está tudo bem, isso acontece o tempo todo, é normal e sua hostmom está ok com isso!"
"Ok... tks" - eu não queria agradecer, eu NÃO PEDI PRA ELA TOMAR AS DECISÕES POR MIM!
Fiquei louca de raiva e extremamente preocupada sobre o que a Luz estaria pensando sobre mim.
Fui para aula e o professor enlouqueceu porque basicamente o dia todo discutimos sobre a melhor solução pro meu problema. Mando e-mail pra Toronto reclamando da coordenadora? Não mudo de casa só de birra? Falo de novo com ela e digo que não vou mais me mudar, seviranegona? Mudo de casa já que o mal estar já tomou conta de tudo?
E que business class que nada, o assunto foi de Ruby e suas atitudes a homestay ao redor do mundo.
Depois disso, recebo uma mensagem da Luz:
"Hi Bruna, I didn't know that you are moving out, I'm sorry if you are not happy staying in the house. But that's ok..."
Não aguentei. Mostrei pro professor: "Can I go talk to Ruby?"
"Sure, Bruna... I'm sorry"
Cheguei lá, entrei na sala dela já chorando e mostrei a mensagem.
Ela disse para eu não ficar daquele jeito, porque "homestay is just business to them", etc, etc e que é como se fosse um HOTEL!
"Me desculpa, Ruby... eu não saio pra jantar, não canto no karaokê e nem converso sobre mil coisas da minha vida com os funcionários do hotel"
Que comparação mais esdrúxula!
Depois veio falar que nós, sul-americanos somos muito emotivos!
Meu, eu to longe da minha família e amigos, sou emotiva e me importo com quem se importa comigo! A Luz sempre pergunta quando eu a vejo como foi meu dia, o que eu fiz, se eu comi, se eu limpei meu quarto... Igualzinho a quando estou num hotel!!!
O fato é que ela não podia ter tomado essa decisão por mim, quem conhece a ela e à família dela (que é DEMAIS) sou eu!
Conclusão: to esperando ela chegar em casa pra conversar com ela e decidir até amanhã o que fazer.
Me & Stitch
Again
Dear Hostfamily
Dear Hostfamily
Espero que de tudo certo! depois conte a decisao tomada.. =/
ResponderExcluir(lindas gatinhas! (voce e Stitch))
beijos do seu admirador secreto
Filha, depois de ler o seu post, temo e ao mesmo tempo fico tranquila em ser eu a te dizer que “a vida é isso... um acúmulo de pessoas”.
ResponderExcluirFiquei pensando sobre esse acúmulo de pessoas, que não é apenas de familiares, mas também de amigos, de colegas de trabalho, de companheiros ocasionais, de irmãos emprestados em formato de amigos, em mães e pais que esses mesmos amigos, sem medo, compartilham com a gente. Eu sei... Você acumula coisas e experiências, não pessoas. É isso o que você vai pensar ao ler esta resposta. Vai dizer que imaginou um monte de pessoas apinhadas num canto do seu quarto ou coisas do tipo. Mas a verdade é que acumular faz parte da essência do ser humano.
Talvez não seja a palavra mais palatável para descrever o que quero dizer, mas acredito que seja a certa para o assunto. Pense no seu perfil do Facebook, por exemplo. Quantas pessoas fazem parte dele? Com quantas você realmente mantém um relacionamento? E não digo pessoalmente, porque muitos de nós mantemos sincera amizade com pessoas que só conhecemos virtualmente. Quantas são apenas lembranças de momentos agradáveis em alguma viagem? Quantas você não faz ideia de quem sejam? Quantas acabaram ali por causa do trabalho? Por causa de um amigo ou do "amigo do amigo"?
Nós acumulamos pessoas, e não apenas as redes sociais mostram isso. Algumas vezes, melhor, em determinados momentos, dependendo da nossa necessidade emocional, tratamos quase desconhecidos como amigos de longa data. Convidamos para nossas festas pessoas que talvez se tornem mais que conhecidas do ponto de ônibus. E isso é válido e normal, tem a ver com o nosso desejo de nos conectarmos. Com a loteria que é conhecermos pessoas que estarão por perto durante toda a nossa vida.
Agora, pense sim no sentido claro da palavra. Acumular gera um problemão, porque esgota qualquer um. Em determinado momento, respirar fica difícil, a gente se sente preso nesse universo em que tudo parece exagerado, em que temos de lidar com problemas com pessoas estilo Ruby que nem fazem parte da nossa história.
Chegou a hora de desapegar. Desapegar não é fácil, ao menos para mim. Eu sempre fico com a sensação de autora de abandono, de que não estou fazendo o melhor para aquela pessoa, sendo a melhor pessoa para aquela pessoa. Os meus desapegos, frequentemente, chegam acompanhados de algum evento nada bacana, um daqueles desfechos em que você para e diz: por que estou perdendo meu tempo dessa forma?
Neste caso, o da Luz Buhat e de todos os que vieram com ela no acúmulo, o desapego é pela ideia de que é possível você estar presente na vida de todas elas porque você as quer bem... e isso não vai mudar de endereço no próximo sábado.
Eu sei que na sua vida ainda chegarão muitas outras pessoas, que a acumulação será digna de show de diva pop, porque você é do tipo popular e adorável. E que haverá sessões de desapego até. Assim quero que compreenda que esse é o jeito da vida nos fazer escolher não apenas o nosso caminho, mas aqueles que seguirão conosco. Em qualquer rua, de qualquer país num planeta qualquer.
Te amo incondicionalmente!
Até o seu próximo post e antes mesmo que este se transforme em cinzas no se pensamento.